terça-feira, 26 de junho de 2007

Amizades, satélites e banda larga...

Em minhas internetadas pela vida afora, eu encontro pessoas e "pessoas" que todos os dias participam de minha vida e compartilham momentos de suas vidas comigo, o que eu retribuo passando a elas um pouco de minhas experiências de vida destiladas no ambiente virtual.
Em um dia desses (na verdade madrugada), encontrei uma figura muito singular em uma sala de bate papo (vício que não consigo largar!), a qual me cativou bastante desde nossa primeira conversa. Ela parece doce, meiga e muito concentrada. E em nossas conversas ela mostra a pessoa que realmente é, assim como eu faço. Conversas regadas à sinceridade e muita descontração são a tônica de cada encontro virtual.
Desenvolvemos conversas sobre relacionamentos, amizades, tendências, moda, religião e na grande maioria das vezes falamos de nós mesmos e de nossas vidas no “deserto do mundo real” fora de nossa Matrix. Essa moça de sorriso alegre e brilhante também consegue entender a complexidade do meu pensamento e das nuances existentes no mesmo. É interessante como as pessoas se sentem unidas quando criam um vínculo pela internet. Às vezes chega a ser assustador, mas no caso, é agradável e sempre deixa um gosto de “quero mais” ao final de cada papo.
A ela eu escrevo esse pequeno comentário, que temperado com uma pitada de emoção fraterna, representa um pouco da importância que nossas conversas têm para mm.
Um abraço, moça...

Pacto entre anjos

E lá estava eu, quieto no meu cantinho...
Minha vida monocromática parecia estática e inaudível à humanidade que me circundava.
Passava pelo caminho onde minha própria essência havia sido dividida em duas distintas, divergentes e potencialmente perigosas. Teoricamente, eu brincava de ser feliz e jogava um jogo onde apenas eu perdia para meu maior oponente: Eu mesmo!
Pode ser que eu estivesse fora de mim. Mas parecia agradável...

Pelo menos, eu pensava assim. (E como eu estava equivocado!)

Mas aí, em uma manhã interessante, ela apareceu. Sorria como se o planeta dela fosse diferente do meu. Como se alimentasse sua alma apenas de cor e energia! Parecia romântica e apaixonada pela vida: Tudo o que eu deixara de ser há bastante tempo...
Não conseguia entender porque ela insistia em se aproximar quando meu escudo (levantado para toda a humanidade) permanecia à frente do meu peito, afastando tudo e todos ao meu redor.
Queria tanto contato com ela quanto queria com o restante dos que estavam ao meu lado. Queria ela longe como queria a todos. Permanecia uma rocha e avisava a todos publicamente que essa era a minha “postura”. Todos respeitavam minha idéia de companheirismo. Todos respeitavam meu conceito de amizade unilateral na qual eu estava disposto a ajudar em qualquer situação, mas não conseguia dividir meus problemas para “não incomodar a ninguém”. Menos ela! Ela simplesmente teimava em não compreender! (Essa loira tem atitude! Eu tenho que admitir)
Quando menos esperava, ela havia me conquistado. Foi um processo que ocorreu com a naturalidade que uma amizade tem que ter. Não era mais eu ou meu alter ego para ela. Era alguém mais livre, mais solto, mais “humano”, como ela me ensinara a ser...
Hoje, passamos por poucas e boas nos aconchegando um nas asas do outro. Sendo amigos, sendo cúmplices de nossas dores, pactos, confidencias, alegrias e principalmente sonhos.
Sou uma pessoa abençoada! Tenho a proteção pessoal de um anjo de cabeleira dourada que sempre me guia para os melhores caminhos. Um anjo que oferece afago, sorriso e lágrimas à medida que há a necessidade de qualquer um desses elementos essenciais para a vida de um ser em transição nessa terra de humanos fúteis e infiéis a seus sentimentos.
Hoje, há algo que só nós sabemos. Há segredos e tratados angelicais e honrados nos quais não há mácula, malicia ou intriga que possa nos fazer levantar escudos ou empunhar espadas um contra o outro (Nossa, e como já tentaram!), pois há algo melhor que nós dois dividimos. Há a amizade que procurávamos. Há a preocupação, o cuidado e a proteção que nos faz vigiar um as asas do outro.
Eu estarei aqui para aplaudi-la sempre que sagrar-se vencedora, assim como estarei aqui para afagá-la e oferecer conforto quando se sentir caída.
Que nosso pacto seja cumprido como queremos. Que nossas vidas sejam cheias de felicidade. Seja ela provinda do sorriso inocente de uma criança amada ou da alegria de um domingo rindo com os amigos. Que eu seja para ti, moça, como é para mim. Anjo e arcanjo protegendo e apoiando um ao outro! (Gostei do som. Vou adotar!).

“Que as lágrimas derramadas por tais seres sejam um eterno vínculo em nome da felicidade de ambos. Que seja eterno na medida em que nos é permitido”

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Sobre o que é amor...

Este, diferente de outros textos que já escrevi, é sim uma declaração de amor...
Mas diferente das declarações já escritas, essa não é romântica nem tampouco fala de amantes. Esta verdadeira confissão tem como alvo um amigo.
Um amigo mais que querido, um amigo verdadeiramente amado. Um amigo que ainda não compreende o mundo que o rodeia, as mudanças que ocorrem no ambiente em que vive e nem as leis que regem as vidas sua e das pessoas que ama. A esse amigo eu amei como nunca amei uma criatura viva na terra. O modo como me aceitou em sua vida, me considerou além dos meus erros (por não ter a idade para compreender a gravidade deles, admito) e principalmente o carinho que empregou em nossa curta vivencia juntos me motiva a escrever essa pequena mostra de carinho e amor por ele.
Meu amigo, mesmo pequeno e infante, tem uma missão que o força a ser mais forte até do que pode compreender ser. Doente, agora tem o compromisso consigo de lutar contra algo que nem sabe que existe em seu organismo. Assistir a essa verdadeira batalha é agora para mim um suplicio dos mais aterrorizantes! Não consigo saber que ele não está bem, e que mesmo assim não posso abraçá-lo e dizer: “Eu estou aqui, meu príncipe”.
Amar um ser humano sem esperar nada em troca. Essa foi a lição que aprendi com aquela criança. E é essa lição que eu repasso aqui nessas modestas e mal escritas linhas.
Quero vê-lo concluir sua faculdade um dia! Quero vê-lo ser o melhor na educação física! Quero saber que correu de bicicleta e até que conquistou uma garota enquanto andava na praça...
Que o seu futuro seja melhor que o que eu desejei...
Porque eu sinto sua falta.
Mas torço e emprego minhas raras e agora fervorosas orações por sua melhora.



Não esqueça que eu te amo!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

O que se esconde por trás da neblina?

Eu estava a cerca de 80 km por hora.
O metal da moto ficava rangendo e gritando meu nome....
“Pode ser sono! Estou quase vendo e ouvindo coisas!”
Eram quase 6 da manhã e eu ainda não havia dormido. Passei a madrugada na frente do computador resolvendo “coisas”. Coisas que me deixaram preocupado com a minha própria vida. “Como eu posso agora não ser um monstro quando me pareço tanto com um?”. Esse era o meu dilema da manhã. Esse era o meu dogma do dia...
Lembro de ter meditado sobre erros cometidos na noite anterior. Não conseguia parar de pensar que o monstro que eu ferira naquela noite era também uma parte do que eu fui e que ainda sou. “Você é igual a ele. Nada em você é diferente!”. Agora eu estava a pouco mais de 60 por hora e o frio me revelava algo que ainda não havia notado na cidade: “Como a neblina está densa!”.
Uma cortina de fumaça natural e vapor frio (gélido, na verdade) me faziam perder a visão física, mas ao mesmo tempo atiçava minha visão mental. O que ???. Sim, visão mental. Aquela na qual você consegue perceber tudo ao seu redor com mais clareza. Aquela que te ajuda quando as dúvidas pairam na sua mente perturbada.
Eu corria menos, pensava mais. Sentia um frio que congelava minha alma e fazia com que meu pulmão respirasse aliviado por eu estar ainda vivo, mesmo eu não tendo mais tal direito.
“Você nunca vai mudar!”. Será que aquela harpia tinha razão? Será que eu realmente nunca mudaria? Será que eu seria como o monstro da noite anterior aos meus 40 anos de idade?
Perguntas e mais perguntas. Gostaria de uma resposta de vez em quando! Mas em todo o caso, eu estava com meu peito doendo de tanto frio que fazia. O caminho até minha casa parecia mais longo que o de costume e ainda assim eu teimava em querer mais algum tempo para pensar nisso...
Bem, meu dia começou um tanto estranho, mas acredito que houve uma melhora significativa a partir daí. Trabalhei, brinquei, sorri, pensei e refleti.... “Não sou igual a ele!”, finalmente eu acordara para esse fato. E nunca ser diferente me pareceu tão adorável e deliciosamente normal.
Então, hoje não acessarei meu Messenger, meu Orkut ou qualquer dispositivo da internet. Hoje é dia de usar o telefone e ligar para alguém especial apenas para saber como ela está. Sem nenhuma segunda intenção capciosa, sexual ou mesmo egocêntrica. Uma ligação apenas com o fim de perguntar: “Como foi a sua viagem, minha linda?”
Meu primeiro passo para ser um pouco mais diferente da criatura que combato. Um grande passo para quem não conseguia fazer nada em relação à isso. “Obrigado ao monstro pela ajuda!”
Que seus fins de semana sejam cheios de ligações carinhosas como a que pretendo realizar.
E que elas sejam recebidas com o carinho que espero da minha!

quinta-feira, 21 de junho de 2007

My last day of romance

O dia começou com uma pergunta:

Como eu faço o tempo parar?

Essa maldita pergunta entrou em meu cérebro e lá se alojou, fazendo com que eu olhasse para o sol, que com sua arrogante presença dizia: “Inevitável!”. O astro referia-se à minha missão mais que dolorosa daquele dia fatídico e assustador.
Não consegui fazer nada além de visitar meu mar azul. Cheguei à sua casa e lá estava ela sentada no sofá ao telefone, como se nada fosse acontecer dali a poucas horas. Cheguei e dei-lhe um beijo no rosto. Ela retribuiu me puxando com os olhos e beijando minha boca como se estivéssemos longe por anos. “Daqui a pouco tempo estaremos, princesa”, eu pensava enquanto o agora “cadeirante” Humberto (ex-futuro-ex-possivel-quase-cunhado) entrava pela sala e gritava por café!
Levei meu nobre amigo a uma confeitaria, e no trajeto comentávamos sobre a vida e como eles fariam falta nela. Fiz elogios à sua irmã, atual objeto de meu carinho quase que absoluto e de como faríamos para manter contato agora que sua partida era coisa certa.
Em meio à nossa conversa ele sugeriu que eu não comprasse nada e que apenas voltasse e “trocasse os Medeiros”. Concordei prontamente e rimos da velocidade com que isso aconteceu. Não que eu não gostasse de sua companhia, mas não poderia, àquela altura, perder mais um segundo que tinha para ficar perto de meu mar particular.
Levei-a ao mesmo local. Tomamos um ótimo café da manhã. Na verdade, alguns sucos, doces e cremes, que acabaram e narizes, olhos, cabelos e bocas....Brincar é algo que com ela, parece normal até para esse grandalhão que vos escreve..
Olhei para trás e por um minuto vi algo que me remeteu ao doce e ao mesmo tempo azedo sabor do meu passado recente. Amei e senti pena, mas o amor prevaleceu, embora o ódio vindo da porta tenha tentado podar-lhe. Nesse momento, confirmei o que escrevi no post anterior: Meu demônio estava enterrado!
Saímos de lá e fomos apenas nos sentar em um carro. Sabe, odiei de imediato a idéia de passar quase duas horas naquele tormento de saber que a estava escoltando para longe da minha presença! Mas ainda assim fui com ela...
Sem perceber, meu semblante congelou. Meus dentes agora cerrados mantinham o “concreto” do meu rosto em sua posição mais fechada. Estava visivelmente chateado com a viagem dela. Mas aí, ela fez algo que me abalou. Olhou seriamente para mim, tocou no meu rosto e repetiu uma frase que sempre digo: “Não fale nada. Estou memorizando seu rosto, portanto, me dê um sorriso dos que eu amo!”.
Sorri, a beijei, a senti quente e forte como sempre. Ficamos assim, abraçados pelas almas e pelos corpos até a chegada. Eis o momento que eu evitei sequer imaginar durante dias...
Eu pensei comigo: “Mantenha-se como uma rocha! Seja frio e diga que foi um prazer conhecê-la”. Percebi que era o outro em minha mente que falava, então desconsiderei de imediato o comentário e fui eu mesmo. Ela agradeceu.
E ela se foi... My last days of romance agora faz sentido! Odeio despedidas, mas essa, em particular me pareceu diferente. Foi mais um "até logo" que deixou em aberto algo que nunca vou querer fechar.
Adeus minha “amiga”. Que POA seja tua morada até sentir vontade de voltar...

Agora é hora de visitar a nuvem do meu anjo particular... Tenho que saber como ela está.
Tá na hora de vestir o uniforme de arcanjo!!!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Diálogos e exorcismo

Como é de costume, fiquei até altas horas escrevendo para o periódico no qual trabalho. Entretanto, uma janela de bate papo pairava aberta na minha tela, e só de vez em quando eu a abria e conversava com uma figura que há horas esperava pacientemente para dialogar mais diretamente comigo. Ela estava afoita falando de mil assuntos diferentes e parecia não se preocupar muito com a minha falta de interesse manifestada através de meu silencio constante...
Então lá estava eu novamente cometendo o sacrilégio de entregar-lhe meu endereço de Messenger (Santo Deus! Como já tive problemas com isso na minha vida!). Fiz isso mais pela preguiça de abrir mais uma vez a janela da sala de bate papo do que vontade de teclar com “Linda Mulher”, mas assim que entreguei a mensagem, ela prontamente me adicionou...
Vamos lá! Conversaremos mais intimamente então. Ocupado com o andamento dos meus textos e com a diagramação, eu não dei muita bola por um tempo até que a moça começou a parecer realmente interessada em me conhecer. Dediquei a partir daí alguns minutos para conversar com ela. Ela digitava como se nos conhecêssemos há anos, mas eu não compreendia a natureza das perguntas sobre meus amigos e meus “amores” que ela fazia sempre acompanhadas de “kkkkkkkkkk” digitados insistentemente...
Em dado momento ela pediu educadamente o link para o meu Orkut, o que eu fiz sem maiores problemas, mas que não recebi retorno. Alguns minutos de silencio, os quais eu passei escrevendo, e lá estava ela novamente...Só que dessa vez, a coisa parecia diferente...
Ela fez uma pergunta acerca de uma foto minha com uma “amiga-irmã-anjo da guarda-confidente”, na qual aparecemos abraçados e rindo abertamente. Indagava se era algum de meus amores do passado ou do presente. Ao receber a minha negativa, ela acidentalmente se revelou, sendo traída pela sua própria emoção:

“Você nunca vai mudar!!!”

Foi com essa frase (um tanto quanto absurda e ridícula a meu ver) que eu comecei a perceber que minha interlocutora não se tratava de uma verdadeira desconhecida, mas sim de alguém que conhecia muito bem os meus segredos e meu modo de vida. (Já ouvi essa frase inúmeras vezes, de pessoas diferentes e principalmente indiferentes em quase todos os lugares os quais já visitei. Entretanto, eu não acredito muito nessa previsão pessimista).
Mas como eu ia dizendo, imediatamente ela se revelou alguém com algum conhecimento sobre erros recentes cometidos por mim em minha jornada amorosa (turbulenta nos últimos anos), comentando acerca da sorte que minha “ex” tinha em ter se afastado de mim. Confesso que ri bastante a partir desse momento, mas prossegui conversando enquanto aquela criatura me atacava dizendo o quanto me conhecia...
Quando não agüentei mais, resolvi desmascarar a harpia. Comecei a citar pessoas e situações vividas por mim ao seu lado, mas sem deixar margem para comentários.
Ela se revelou e fez com que minhas risadas fossem estridentes. Como adoraria ter gravado minhas gargalhadas de alegria e pena daquele ser como gravei a conversa! Exorcizei mais um de meus demônios e me senti muito feliz naquela noite!
Ao final, com uma ponta de sarcasmo, ainda aconselhei que lêsse o meu recém-lançado blog, para que aprendesse um pouco mais sobre minha personalidade mutante que aprendeu em aproximadamente um ano ao meu lado.
Excluído do meu Messenger, mais esse demônio fora expulso de minha vida agora um tanto mais leve. Para falar a verdade, fazendo as contas e adicionando aos 20 quilos que perdi em 4 meses, eu estou feliz de ter me livrado de quase 100 quilos nas minhas costas.
Agora, na cidade dos verdadeiros arcanjos, onde a pureza é refletida nas ações e não nas palavras vazias e facilmente forjadas, estou eu, caminhando e sorrindo porque não tenho mais que esconder meu rosto e nem calar minha voz rouca..
Obrigado aos anjos que me acompanham pelo auxilio em mais essa conquista...

terça-feira, 19 de junho de 2007

Eternidades sob um edredom...

Após descer da nuvem de um anjo particular que adquiri há algum tempo, eu, este pobre mortal, me deparei com um problema incrível e assustador: Acabei por esquecer meus olhos azuis por uma fração de tempo!
Aquele que ler essa frase não sabe o quanto eu demorei em pronunciá-la depois que meus neurônios a processaram alguns bilhões de vezes. Não consigo compreender como pude não ter atentado para tal fator, uma vez que meu tempo mergulhado em mares azuis se esvai com uma velocidade assustadora e excitante.
Pois muito bem: “Corra Rodrigo. Corra e chegue antes que ela esteja dormindo!”. Não conseguia pensar em outra frase que não esta. Minha mente a repetia sem parar. Sem perceber, minhas pernas agora desempenhavam um ritmo frenético, indiferentes à qualquer cansaço que eu sentisse até àquele momento. Sim, eu estava correndo feito um demente.
Desempenhei minha corrida com uma velocidade considerável. Cheguei ofegante à porta da casa. De súbito, peguei a cópia da chave que ela delicadamente deixara embaixo de um tapete. Olhei para aquele objeto e me senti bem. Aquele pequeno pedaço de metal representava uma união maior entre “amigos”, que apenas se querem bem...
Ao passar devagar pelo quarto percebi aquela criatura dormindo tão linda e profundamente que adoraria ressuscitar Da Vinci , Monet ou Picasso para eternizar aquela expressão divina no rosto dela. Parecia feita apenas de energia...Energia que emanava desejo por todo aquele pequeno cômodo...
Claro que eu estava suado. Corri ao banheiro, e com certo desconforto (por estar em outra casa que não a minha), tomei um banho longo e demorado. Precisava disso para me sentir eu mesmo novamente. Saí de lá renovado e vivo. É impressionante como um simples banho quente pode fazer milagres à alma de um “guerreiro urbano”.
Pois bem. Lá estava eu olhando para aquela criatura mítica e encantadora. Não conseguia entender agora o porque de não parar de olhá-la. Era como se eu nunca a tivesse visto em tal estado de paz e beleza.
Deitei-me ao seu lado devagar e puxei o edredom. Olhei para o lado, mexo no seu cabelo e sussurrei uma prece na qual desejava ver mais uma vez meus mares azuis antes de dormir. Ela não se mexia. Apenas dormia...
Minha alma fervia de frustração e desejo. Queria mais uma vez dar-lhe um beijo...
Um único e solitário beijo...
Ela não se mexia. Respirava calma e serenamente como a criatura encantadora que é. Eu não tinha mais o direito de importunar tal obra de Deus. Não tinha o direito de acordá-la apenas por um beijo.
Me peguei olhando para o seu corpo semi despido e o tateei milimetricamente a partir daí. Olhei desde a curvatura simétrica de sua nuca até o formato de sua pernas entrelaçadas com o lençol. Era mágico olhar para ela!!!
Quando já havia me posto em posição de sono, uma voz suave e familiar rasgou a escuridão e o silencio daquele quarto: “Bom dia tri galeto!”...
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa aquela doce e frágil criatura se tornara forte e decidida. Com um movimento que não sei definir se lento ou rápido ela se jogou sobre mim e mais uma vez uniu a força daqueles olhos à energia da sua fala: “Nunca mais me deixe esperando!”.
Daí por diante, meu todo fora tomado por aquela ninfa que com seu corpo esguio (e lindo) conseguia agora domar um homem de 1,90m (Sim, eu me orgulho disso!). Eu estava dominado, controlado, submisso. Meu corpo, minha alma e todo o meu ser pertenciam agora e por uma eternidade àquela mulher, mesmo que a eternidade existisse apenas naquele lugar.
Tomei-a em meus braços e a senti leve e frágil como um cristal, mas quente e intensa como um vulcão! (Piegas? Paciência!). Há um ano atrás, eu me contentava com uma simples fogueira no parque, e agora eu queria uma erupção completa até a união perfeita de nossas almas por meio de nossos corpos.
Finalmente exaustos, um olha para o outro e não precisa dizer nada. Há muito ainda a fazer. Tantas caricias, tantas pontas dos dedos que me perdi na imensidão daquela pele suave e linda!
Não dormi mais. Meu sono acabou e minha vontade de caminhar se ampliou. Como era de se esperar, minha ninfa agora dormia com um sorriso no semblante que massageava meu ago de forma sublime. “Sim, sou eu!” eu ria comigo...
Infelizmente eu tinha que ir embora.
Meu dever sempre me chama.
Mas minha alma ainda permanecia naquele quarto, algemada àquela mulher.
“Pela manhã eu volto ao meu mar e mergulho mais fundo!!!”

Durma bem, olhos azuis...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Nosso choro, nossa marca registrada...

Tive uma noite maravilhosa após um domingo de correria.
Passei momentos muito fraternos e regados à maravilhosa conversa com uma amiga nos quais compartilhamos mais uma vez nossas alegrias, medos, decepções, dúvidas e também lágrimas..
Um homem não pode chorar se sentir vontade? Acho que sim. Permito-me isso hoje, obrigado!
Conversamos sobre muitos assuntos, principalmente sobre nosso santo graal: O temido e querido AMOR! Amor que se aparentava tão distante de nós quanto um peixe de um pássaro, mas que teimava em aparecer em nossas vidas associado à pessoas e eventos que contrariam nossas vontades e sentimentos mais racionais e autopreservativos...
Mas quem disse que o amor tem que ser racional? Ora bolas, eu disse e ela também! (talvez e somente talvez estivéssemos errados!)
O que mais nos chama a atenção é que essa amiga, que hoje se mostrou frágil e confusa, também foi a rocha indestrutível que me manteve firme ao chão quando há pouquíssimo tempo eu erroneamente havia optado pela extinção de minha existência.
Minhas palavras para ela ficam aqui registradas e imortalizadas:


Que o amor seja teu amigo a partir de agora, como eu sou. Como eu quero que sejamos felizes e amigos para além dos séculos e das vaidades dos que tricotam, confabulam, arquitetam e criam estratagemas contra nós! Que estes seres, pequenos por natureza, percebam que ser grande nada mais é do que admitir as fraquezas e às vezes chorar em um ombro amigo de verdade como nós sem vergonha ou prudencia mundana alguma conseguimos fazer sempre que nos atamos à conversar e a confessarmo-nos um ao outro...
Tenho medo de minhas intuições sobre os nossos temidos amores, mas sei que quando qualquer um de nós tiver a necessidade, o outro estará lá, pertinho, colado e pronto para utilizar de qualquer conhecimento e sentimento para simplesmente fazer rir enquanto gargalha ou aparar uma lágrima enquanto também chora...

Nossa tempestade está perto, mas eu estarei abraçado à você!

Em homenagem à um anjo...

sábado, 16 de junho de 2007

Lampejos de bom senso na madrugada...

Eu sou um assíduo e exímio frequentador de salas de bate papo.
Gosto de interagir com as pessoas por lá. O contato frio do ambiente virtual nunca me incomodou, e me ajudou a construir amizades que há anos me alegram, e também relacionamentos inúteis e sem sentido baseados apenas em impressões que acabaram por me deixar mais arisco em relação ao amor.
Mas na madrugada de um sábado, após chegar de uma festa e sentar na frente do PC eu me deparei teclando com uma moça que em 15 (eu disse apenas 15) minutos de conversa me convidou para ir até a casa dela, na Cidade Nova, para tomar um vinho. "Ora! Um cálice de vinho nunca matou ninguém!". "Mas um marido enciumado sim!!!", retrucou a parte do meu cérebro que ainda não entrou em parafuso e contém ainda um pouco de lucidez.
Quando ela digitou a frase, eu me remeti a tempos em que eu dizia não sentir medo de morrer. Faria qualquer coisa para satisfazer meu ego dormindo com a mulher de alguém que estivesse trabalhando e ou viajando. Eu era jovem, bonito e imaturo...
Mas espera aí: eu ainda sou jovem, bonito e em certo ponto imaturo. Sendo assim, o que mudou afinal? Elementar, meu caro leitor: O desejo mudou. Não quero uma noite de sexo e alguns telefonemas falando da minha performance! Preciso de mulheres humanas, que valorizem algo mais do que meu rosto, corpo ou as propriedades e talentos que estes supostamente possam ter.
Quanto à moça. Ela está bem. Deve ter encontrado alguém para dividir a sua garrafa de tinto, cama, chão, chuveiro, mesinha, sofá ou qualquer outro lugar de sua casa linda e bem decorada.
Claro que sei quem é ela. Claro que não vou dizer quem é. Mas posso dizer que poucos homens dispensariam uma chance como essa.
Talvez eu esteja finalmente crescendo.
Ou ficando mais medroso.
De qualquer forma, algo mudou em mim. E isso me faz sentir bem demais!
Boa manhã para todos.
E que o sábado seja tão bom quanto a semana que se foi!!!

quinta-feira, 14 de junho de 2007

...Por antecipação

Qual o teu nome?
Qual o teu caminho?
Qual o teu segredo afinal de contas?
E porque me atormentas os pensamentos?
Porque atiças tais sentimentos?
Porque não consigo mais me sentir seguro na escuridão total?

Será que é porque eu vejo teus olhos no escuro apontando para mim e me chamando mesmo quando estás longe? Ou será apenas mais um devaneio entre os inúmeros que tenho a cada madrugada que me disponho a ficar longe de você?
Queria desvendar os segredos que sei que existem por trás da tua transparencia tão cheia de graça e paz. Queria saber de onde vem tanta energia, apego, zêlo, carinho, comprrensão e ternura!
Adoraria saber o que em você me causa esse medo todo. O que há na tua presença que me faz pensar tanto na falta que sentirei de ti? Porque tens que ir embora quando já tens tanta importancia na minha vida outrora decadente? Porque o azul sempre foi minha cor favorita? Porque quero a verdade que encontrei nos mares azuis e que não encontrei em outras águas?
Nesse momento são muitas perguntas. Questionamentos que espetam meu cérebro e me deixam acordado madrugadas inteiras velando pelo teu sono e olhando para tua silhueta clara e brilhante enquanto deveria estar no trabalho, por exemplo...
Sabe, confessar aqui que sou fraco e indefeso sem esses pontos azuis no meu dia é como confessar a própria quebra de todas as vaidades e orgulhos. Que seja assim então! Que sejamos nós por mais alguns dias. E que seja eterno na fração de segundo que nos seja permitido viver essa experiencia que vem mudando a minha forma de pensar sobre temas maravilhosos. Principalmente na amizade.
Porque somos amigos,
Nada além de amigos,
Que se permitem...
E que sonham juntos imaginando o próximo segundo, o próximo movimento...


"Que os ventos açoitem as árvores, pois tu não estarás aqui pela manhã e o teu arcanjo imperfeito perderá suas asas voando em tua direção. Que seja em vão, mas que seja verdadeiro"

Gênesis

"No princípio criou Deus os céus e a terra.
A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.
Disse Deus: haja luz. E houve luz.
Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. .."

É assim que a história começa...
Com uma idéia de um ser que imaginou, projetou e executou um projeto maravilhoso e sem igual.
Talvez e apenas talvez, eu devesse ler todos os dias um pouco mais as primeiras palavras desses livro que tanto critiquei.
Minha primeira postagem não é romantica, poética, política, agressiva, metódica, sarcástica ou mesmo incisiva. É apenas a primeira postagem de alguém que quer compartilhar o significado que essas palavras têm, e como elas fazem sentido em alguns momentos da vida.
Há algo que não se pode retirar da vida de um homem: o seu desejo de ser maior. De superar a sua condição humana. Sábios os que aceitam a doce derrota ao ler essas primeiras palavras do livro sagrado. Tolos os que acreditam que podem alcançar tais objetivos.
Mesmo assim, brindo aos que são tolos e aos que são sábios, pois de ambos, tenho partes e trejeitos.

Mais uma dose de ambrosia, por favor!