Eu estava a cerca de 80 km por hora.
O metal da moto ficava rangendo e gritando meu nome....
“Pode ser sono! Estou quase vendo e ouvindo coisas!”
Eram quase 6 da manhã e eu ainda não havia dormido. Passei a madrugada na frente do computador resolvendo “coisas”. Coisas que me deixaram preocupado com a minha própria vida. “Como eu posso agora não ser um monstro quando me pareço tanto com um?”. Esse era o meu dilema da manhã. Esse era o meu dogma do dia...
Lembro de ter meditado sobre erros cometidos na noite anterior. Não conseguia parar de pensar que o monstro que eu ferira naquela noite era também uma parte do que eu fui e que ainda sou. “Você é igual a ele. Nada em você é diferente!”. Agora eu estava a pouco mais de 60 por hora e o frio me revelava algo que ainda não havia notado na cidade: “Como a neblina está densa!”.
Uma cortina de fumaça natural e vapor frio (gélido, na verdade) me faziam perder a visão física, mas ao mesmo tempo atiçava minha visão mental. O que ???. Sim, visão mental. Aquela na qual você consegue perceber tudo ao seu redor com mais clareza. Aquela que te ajuda quando as dúvidas pairam na sua mente perturbada.
Eu corria menos, pensava mais. Sentia um frio que congelava minha alma e fazia com que meu pulmão respirasse aliviado por eu estar ainda vivo, mesmo eu não tendo mais tal direito.
“Você nunca vai mudar!”. Será que aquela harpia tinha razão? Será que eu realmente nunca mudaria? Será que eu seria como o monstro da noite anterior aos meus 40 anos de idade?
Perguntas e mais perguntas. Gostaria de uma resposta de vez em quando! Mas em todo o caso, eu estava com meu peito doendo de tanto frio que fazia. O caminho até minha casa parecia mais longo que o de costume e ainda assim eu teimava em querer mais algum tempo para pensar nisso...
Bem, meu dia começou um tanto estranho, mas acredito que houve uma melhora significativa a partir daí. Trabalhei, brinquei, sorri, pensei e refleti.... “Não sou igual a ele!”, finalmente eu acordara para esse fato. E nunca ser diferente me pareceu tão adorável e deliciosamente normal.
Então, hoje não acessarei meu Messenger, meu Orkut ou qualquer dispositivo da internet. Hoje é dia de usar o telefone e ligar para alguém especial apenas para saber como ela está. Sem nenhuma segunda intenção capciosa, sexual ou mesmo egocêntrica. Uma ligação apenas com o fim de perguntar: “Como foi a sua viagem, minha linda?”
Meu primeiro passo para ser um pouco mais diferente da criatura que combato. Um grande passo para quem não conseguia fazer nada em relação à isso. “Obrigado ao monstro pela ajuda!”
Que seus fins de semana sejam cheios de ligações carinhosas como a que pretendo realizar.
E que elas sejam recebidas com o carinho que espero da minha!
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