terça-feira, 19 de junho de 2007

Eternidades sob um edredom...

Após descer da nuvem de um anjo particular que adquiri há algum tempo, eu, este pobre mortal, me deparei com um problema incrível e assustador: Acabei por esquecer meus olhos azuis por uma fração de tempo!
Aquele que ler essa frase não sabe o quanto eu demorei em pronunciá-la depois que meus neurônios a processaram alguns bilhões de vezes. Não consigo compreender como pude não ter atentado para tal fator, uma vez que meu tempo mergulhado em mares azuis se esvai com uma velocidade assustadora e excitante.
Pois muito bem: “Corra Rodrigo. Corra e chegue antes que ela esteja dormindo!”. Não conseguia pensar em outra frase que não esta. Minha mente a repetia sem parar. Sem perceber, minhas pernas agora desempenhavam um ritmo frenético, indiferentes à qualquer cansaço que eu sentisse até àquele momento. Sim, eu estava correndo feito um demente.
Desempenhei minha corrida com uma velocidade considerável. Cheguei ofegante à porta da casa. De súbito, peguei a cópia da chave que ela delicadamente deixara embaixo de um tapete. Olhei para aquele objeto e me senti bem. Aquele pequeno pedaço de metal representava uma união maior entre “amigos”, que apenas se querem bem...
Ao passar devagar pelo quarto percebi aquela criatura dormindo tão linda e profundamente que adoraria ressuscitar Da Vinci , Monet ou Picasso para eternizar aquela expressão divina no rosto dela. Parecia feita apenas de energia...Energia que emanava desejo por todo aquele pequeno cômodo...
Claro que eu estava suado. Corri ao banheiro, e com certo desconforto (por estar em outra casa que não a minha), tomei um banho longo e demorado. Precisava disso para me sentir eu mesmo novamente. Saí de lá renovado e vivo. É impressionante como um simples banho quente pode fazer milagres à alma de um “guerreiro urbano”.
Pois bem. Lá estava eu olhando para aquela criatura mítica e encantadora. Não conseguia entender agora o porque de não parar de olhá-la. Era como se eu nunca a tivesse visto em tal estado de paz e beleza.
Deitei-me ao seu lado devagar e puxei o edredom. Olhei para o lado, mexo no seu cabelo e sussurrei uma prece na qual desejava ver mais uma vez meus mares azuis antes de dormir. Ela não se mexia. Apenas dormia...
Minha alma fervia de frustração e desejo. Queria mais uma vez dar-lhe um beijo...
Um único e solitário beijo...
Ela não se mexia. Respirava calma e serenamente como a criatura encantadora que é. Eu não tinha mais o direito de importunar tal obra de Deus. Não tinha o direito de acordá-la apenas por um beijo.
Me peguei olhando para o seu corpo semi despido e o tateei milimetricamente a partir daí. Olhei desde a curvatura simétrica de sua nuca até o formato de sua pernas entrelaçadas com o lençol. Era mágico olhar para ela!!!
Quando já havia me posto em posição de sono, uma voz suave e familiar rasgou a escuridão e o silencio daquele quarto: “Bom dia tri galeto!”...
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa aquela doce e frágil criatura se tornara forte e decidida. Com um movimento que não sei definir se lento ou rápido ela se jogou sobre mim e mais uma vez uniu a força daqueles olhos à energia da sua fala: “Nunca mais me deixe esperando!”.
Daí por diante, meu todo fora tomado por aquela ninfa que com seu corpo esguio (e lindo) conseguia agora domar um homem de 1,90m (Sim, eu me orgulho disso!). Eu estava dominado, controlado, submisso. Meu corpo, minha alma e todo o meu ser pertenciam agora e por uma eternidade àquela mulher, mesmo que a eternidade existisse apenas naquele lugar.
Tomei-a em meus braços e a senti leve e frágil como um cristal, mas quente e intensa como um vulcão! (Piegas? Paciência!). Há um ano atrás, eu me contentava com uma simples fogueira no parque, e agora eu queria uma erupção completa até a união perfeita de nossas almas por meio de nossos corpos.
Finalmente exaustos, um olha para o outro e não precisa dizer nada. Há muito ainda a fazer. Tantas caricias, tantas pontas dos dedos que me perdi na imensidão daquela pele suave e linda!
Não dormi mais. Meu sono acabou e minha vontade de caminhar se ampliou. Como era de se esperar, minha ninfa agora dormia com um sorriso no semblante que massageava meu ago de forma sublime. “Sim, sou eu!” eu ria comigo...
Infelizmente eu tinha que ir embora.
Meu dever sempre me chama.
Mas minha alma ainda permanecia naquele quarto, algemada àquela mulher.
“Pela manhã eu volto ao meu mar e mergulho mais fundo!!!”

Durma bem, olhos azuis...

2 comentários:

Aline Ribeiro disse...

Corra Forrest, corraaaaaa! hehehehe

Digo, vc é um abençoado por Deus, tem noção disso? em todos os sentidos. Na saúde, no trabalho, nas amizades [nisso me incluo sem modéstia] e no amor. Meudeusdocéu, ela é linda demais. Um anjo do zoião azul. Pena que vc não a levou pra comer do meu estrogonofe! hunf...

Estou feliz por ti, coisa grandeeeeee

Rodrigo Fernando Ferreira disse...

Anjo...

Sabe quando não se tem medo de nada? Quando o corpo parece blindado?
Obrigado à você, ao "cara de banana" e ao meu mar azul por existirem e colocarem um pouco mais de cor na minha vida outrora monocromática.

P.S.: Pare de me chamar de "coisa grande". As pessoas já estão comentando. Não que eu tenha do que reclamar quanto à isso! rs